Domingo, Dezembro 10, 2006

Murío el ex-dictador...

A escória da escória humana ficou reduzida! Desde La Moneda que 3197 vítimas esperavam que enfrentasse a justiça, por eles e pelos outros crimes contra a humanidade!
Para os da sua estripe resta lembrar-lhes que nunca esqueceremos os seus crimes.
O seu caso deveria ter sido um exemplo de justiça internacional, não o foi, mas urge aplicá-la a outros da sua laia!

Quinta-feira, Outubro 26, 2006

Lindos...



Há muito tempo que não colocava aqui um post. Andava a meditar sobre o melhor assunto, e eis que encontro no Público de 25/10 esta linda foto. São gémeos e são ingleses, pelos vistos acontece uma vez em um milhão, e ainda há pouco vi na SIC que as diferenças da cor da pele estão a acentuar-se... resultado de mãe descendente de nigerianos e pai inglês. Claro que somente esta explicação não vai chegar para as minhas vizinhas compreenderem a situação, mas eu não as censuro, ninguém explica!

Sábado, Setembro 23, 2006

Duas pérolas

Entre muitas pérolas que por aí andam, escolhi estas duas:

Pérola Um: uma das principais notícias do dia refere-se à possível morte de Bin Laden. Apesar de não desejar a morte de ninguém, consigo dizer com algum à vontade que este não faz cá falta!
Relativamente aos contornos da notícia, a mesma parece ter saído de uma fuga de informação dos serviços secretos franceses, que a par de outras secretas internacionais já teriam em seu poder a eventual notícia. O que me surpreendeu, pois ninguém é imortal, foi a estupefacção e revolta do presidente francês Jacques Chirac face à fuga de informação, pois este estava revoltado com a divulgação à imprensa do relatório sobre o assunto.
Meu caro Jacques Chirac se você com esse cuidado todo vivesse num país, onde o segredo de justiça consegue ser quase tão banal como uma qualquer coscuvilhice de rua, já teria com certeza emigrado para França onde apesar dessa fuga tudo aparenta ser bem mais sério!


Pérola Dois: O presidente do Paquistão Pervez Musharraf em entrevista ao programa 60 Minutes da CBS, afirmou que aquando da intervenção americana no Afeganistão, e ao solicitar ajuda para combater os asquerosos talibans, o vice-secretário da defesa dos Estados Unidos da América contactou com o chefe dos serviços secretos paquistaneses e disse-lhe de forma diplomática que, ou o Paquistão participava e cedia as suas bases militares às forças americanas, ou “...seriam bombardeados”, disse-lhe inclusive que se a recusa existisse poderiam preparar-se para voltar “....à Idade da Pedra”.
Fabulosa esta abordagem, diria mais, que sublime e delicada é a diplomacia americana. Um exemplo a seguir.

Terça-feira, Setembro 19, 2006

Que bom é o Queijo.

Desde o mundial de futebol da Alemanha que algo relacionado com o queijo não me parecia tão estranho. Falo no mundial porque durante toda a participação portuguesa no Mundial questionei-me como é que um rapaz que corria pelos lindos pastos açoreanos desalmadamente atrás de um queijo, que conseguia apanhá-lo, fazendo ainda um malabarismo com o mesmo, naquele mundial não conseguia nem apanhar o queijo, nem fazer malabarismo com o queijo ou até mesmo como diz o meu amigo B. Ramalho “...em caso de aflição mete-se o queijo na baliza dos outros!!!”, como é que ele não atinava???!!!
Mas o pior estava para vir em relação aos queijos (não os do mundial). Um dia destes reencontrei no msn uma colega de universidade, que me contou que faz investigação na Universidade do Porto e também por lá lecciona, para como diz financiar a sua investigação (depois queixam-se da “fuga de cérebros” para o estrangeiro), claro que não resisti e perguntei-lhe:
- Então em que consiste a tua investigação?
- Procuro perceber em termos da microestrutura, por microscopia electrónica, como evolui a textura do queijo ao longo da maturação, desde que é feito até ao momento em que é consumido. – respondeu a Patrícia.
Como podem supor não fiz mais questões técnicas. Fiquei sim com apetite de um bom queijinho, que é a única coisa que sei sobre eles, e que em geral são bons.

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

Que Luar...

Domingo, Agosto 20, 2006

Ou há moral ou pagam todos!

Ao dar uma vista de olhos pelo Correio da Manhã, houve um título que me chamou à atenção, dizia assim: “Hospitais: Ministro trava administradores”, e o parágrafo introdutório era logo por si uma estupefacção, relatando que “O que falta para assistir a tempo os doentes nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) sobeja quando se trata de comprar novos carros BMW topo de gama a alguns administradores hospitalares e mobiliário para compor os gabinetes.”.
Mas seria isto possível? Pelos vistos é! Ao ler o resto da notícia, fiquei mais uma vez a crer que este país surpreende-nos, quanto menos esperamos lá surge mais uma daquelas situações que não lembra a ninguém, e o pior é que em vez de rarearem parece que acontecem com mais frequência. Julgo até que no caso desta notícia, nem merece mais comentários, leiam vocês mesmos em:
(http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=212011&idselect=10&idCanal=10&p=200)

Quem diz que Amor é falso ou enganoso

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.

Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

Luís de Camões

Segunda-feira, Agosto 07, 2006

As máquinas...


Não sou um aficcionado dos ralis, inclusive não percebo nada, pois não faço a mínima do que é um "Grupo N" entre outras coisas da muita terminologia dos ralis. Mas claro um grande acontecimento, não se pode perder. Grande acontecimento pois fazia parte do segundo campeonato mais importante de ralis do mundo, logo a seguir ao WRC (World Rally Championship) isto pelas minhas fontes, e que teve especial destaque num dos meus canais preferidos de televisão, o Eurosport...estou a falar claro do Rally Vinho Madeira. Por todas essas razões e sobretudo por ter sido à portinha de casa acabei por ir dar uma vista de olhos e concluir que são umas belas máquinas e que estar junto à partida de uma prova especial é interessante, com especial destaque para todos aqueles zigue-zagues na aproximação. Para aquecer os pneus? Para testar o carro? Ou para eu apanhar um calafrio? Tenho de informar-me, pois pelo menos o vencedor, Giandomenico Basso, chegou a fazer-me pensar que ia mesmo ter de enfiar-me pela casa de alguém a dentro. Contudo depois até parou para a foto (que remédio, tinham que esperar que lhe dessem sinal de partida!!!).

Gastronomias

Por entre as muitas andanças destas férias, há sempre um tempinho para a gastronomia, seja numa qualquer semana gastronómica ou até mesmo num qualquer restaurante. Por entre sabores mais ou menos conhecidos, já testamos um cardápio (ainda pequeno, mas as férias ainda vão a meio) que foi desde javali grelhado até polvo de escabeche. Tudo muito bom, delicioso até, com pratos mais ou menos originais, estes últimos os que se fazem acompanhar das sempre presentes batatas fritas. É talvez caso para citar:

"Onde estão os pratos veneráveis do Portugal Português, o pato com macarrão do século XVIII, a almôndega indigesta e divina do tempo das Descobertas ou essa maravilhosa cabidela de frango, petisco dilecto de D. João IV..."
Eça de Queiróz

Claro que esta citação é um exagero, e foi aqui colocada por simples divertimento, pois também gosto de batatas fritas e de certeza que são bem melhores que a “almôndega indigesta do tempo das Descobertas”, em relação à “cabidela de frango”, como compreendo D. João IV...terá sido a debicar uma “cabidela de frango” que se consolidou a Restauração? Mais um exagero deste blog dirão, mas nunca se sabe...

Domingo, Julho 16, 2006

Crianças de Gaza e a aldeia de todos...

“A faixa de Gaza é a região mais povoada do mundo”, recorda o The Palestine Chronicle. Num território de 365 km2, acumulam-se 1.3 milhões de pessoas, quase metade dos quais com menos de 15 anos. Segundo o mesmo jornal, “99,4% das crianças de Gaza sofrem de traumatismos, 96% assistiram a um recontro militar, e um terço viu alguém da família ou um vizinho ferido ou morto”. A má nutrição é uma realidade à muito, quer com este quer com o anterior governo palestiniano.
In Corrier International, n.º 66.

Ainda na mesma edição do Corrier, pode ler-se um excerto do jornal palestiniano Al-Falastiniya, onde se reflecte sobre o agravar da crise actual e do primeiro soldado raptado pelos radicais islâmicos.
“Não te preocupes, Gilad Shalit, não te faremos mal. Restabelecer-te-às. E amanhã quando regressares a casa, falarás de nós. Escreverás as tuas memórias com calam, junto à tua janela. Assistirás ao bulício da tua aldeia próspera, com ruas animadas e perfumadas de flor de laranjeira. E se te ocorrerem imagens de árvores abatidas, de casas destruídas, de cemitérios de adolescentes, de ruelas atulhadas de escombros e cheias de crateras, lembrar-te-às que tudo isso é obra vossa.”
Espero que os soldados raptados regressem a casa sãos e salvos, e que escrevam as suas memórias justas, mas sobretudo que esses testemunhos sirvam num curto espaço de tempo, como lições para que não se repitam. Que se tornem num testemunho de uma história acabada e não mais um simples capítulo de uma história interminável. Que a prosperidade não seja um exclusivo da sua aldeia, mas das aldeias de todos.

A guerra de todos.

Sobre guerras passadas facilmente se toma partido, na I e II Guerra Mundial todas as pessoas (menos uns energúmenos que por aí persistem) sabem dizer de que lado estava o mal e de que lado estava o bem.
Nos nossos dias e atendendo às especificidades das guerras, que parecem pequenas guerras, mas pela influência que exercem no nosso dia a dia, são grandes guerras, e é mais difícil tomarmos partido sobre as mesmas, até porque obedecem a toda uma série de variantes que por vezes não nos ajudam a esclarecer ou a tomar partido.
Às questões políticas, geo-estratégicas e económico-socias, juntou-se com mais força (o que não acontecia desde as cruzadas) as questões religiosas, com o caso particular do Islão a ser instrumentalizado para fazer diversas pequenas guerras, ou uma grande guerra se juntarmos todos os cenários de conflitos marcadamente religiosos que hoje persistem.
O recente aumento da violência no Médio-Oriente, por via de Israel e dos radicais palestininanos é um claro exemplo de guerra que junta todas as variantes anteriores e elevadas ao máximo! Ao tomarmos partido ficamos encurralados, aos dois assiste razão, e os anos que o conflito já leva demonstram a complexidade do mesmo.
Observando as opiniões de diversos analistas, queria só deixar algumas ideias e que talvez nos ajudem, não a tomar partido na guerra, mas talvez a fazer um juízo mais esclarecido sobre ela e quem sabe se o mesmo acontecesse à escala universal, acabar com este estúpido conflito.
Retive estas ideias: não é Israel visto pelo mundo ocidental como uma democracia integrante do mesmo mundo? Reagiriam todos os países ocidentais perante um rapto de três soldados seus? Não desvalorizando o valor da vida desses homens, não tinha Israel o dever e a responsabilidade moral de encetar um diálogo em vez de bombardear, tanto a Palestina como inclusive o Líbano, entretanto a violência aumentou dos dois lados e os números de vítimas estão aí. Após as primeiras incursões israelitas, já haviam milhares de pessoas sem estradas, pontes, electricidade, água canalizada, falta de serviços de socorro e auxílio quer em caso de emergência, quer no simples acto de subsistência. O próprio Vladimr Putin que não é um exemplo de um adequado estratega político nestes conflitos (é só recordar a tragédia de Beslan e do Teatro de Moscovo), acabou por dizer e bem que, “Consideramos a preocupação de Israel legítima, mas o recurso à força deve ser proporcionado e deve evitar o derrame de sangue o mais rapidamente possível”, claro que ao seu lado estava o bandoleiro, que facilmente encontrou os culpados: os radicais palestinianos. Para mim não são os culpados, mas sim um dos culpados, como o é também esse bandoleiro.
Considero que também já era tempo de chamar à responsabilidade Israel, pois tem esse dever moral, pois diz-se diferente dos governos árabes que o rodeiam e que não financia a violência gratuita (dizer é fácil), e no universo palestiniano, é já tempo de financiar sim os movimentos pacifistas, aqueles que se empenham na responsabilização dos maus políticos palestinianos, que são contra o extremismo e que querem que os religiosos islâmicos usem o seu poder e influência para solucionar os problemas do seu povo e não para alimentar o ódio a um inimigo, que neste caso é um vizinho e que ninguém (à excepção desses lunáticos) quer que desapareça, e que é inevitável ter de viver com a sua presença e vice-versa.
O pensamento foi desde sempre uma arma mais poderosa que a guerra e estou farto de ler que existe no Islão correntes contraditórias e espaço para a evolução e para o desmascarar estes teólogos da guerra, claro que é um processo demorado e que merece o envolvimento de todos, e não é tão eficiente como a guerra (defendem alguns), e o resultado passa pela criação de estabilidade no mundo muçulmano, o que poderia levar a uma baixa do preço do petróleo, mas talvez não levava ao controlo sobre o mesmo petróleo, e isso aí já são contas de outro rosário. Pois, mas devem esses senhores com poder decidir, ou ficamos com a esmola, ou com a ajuda do Santo e não com as duas coisas.

Terça-feira, Junho 27, 2006

Ausência... os porquês.

Os quatros elementos que frequentemente visitam o meu blog, acharam por bem realizar um abaixo assinado em que recolheram um total de três assinaturas, e onde se podia ler entre outras coisas que este espaço carecia de “textos frescos”. Pediam também, que eu após exaustiva leitura das duas páginas que compunham esse documento, tivesse o especial cuidado de justificar neste mesmos espaço os porquês de tal ausência. Como não posso defraudar os meus principais (únicos?) visitantes, aqui vai a merecida explicação: a capital razão para a ausência de “textos frescos” neste blog é que “a tua bochecha é o meu alvo preferido”, e por razões editoriais e de contratos de autor não posso revelar mais pormenores.
Cabe-me acrescentar também que existe uma razão emergente desde o dia dezanove de Junho pelas dezasseis horas, e esta precisão deve-se sobretudo a eu e muitos outros a quem diagnosticaram o mesmo mal, sabermos quem foram os culpados, e eles andam aí e vou aqui também desmascará-los!!! Eles chamam-se: Klose, Delgado, Ljundberg, Saviola, Tévez, Robinho, Cicinho, Buffon, Zé Calanga, Jaziri, Fernando Torres, Kewel, entre tantos outros. Muitos destes já foram apanhados e estão em prisão domiciliária. Contudo, há uns que são os cabecilhas desta tramóia toda e que se chamam: Figo, Deco, Maniche, Ricardo, Carvalho, Miguel, Ronaldo, Pauleta e outros. Estes últimos andam a ser perseguidos, espero que não sejam apanhados tão cedo...até porque as autoridades ainda não reuniram provas suficientes, a única queixa que existe sobre estes criminosos é a de retirarem a concentração ao pessoal e assim não se produzem “textos frescos”, mas isso é um mal menor!!!

Quinta-feira, Junho 15, 2006

Um ano a olhar por 20 milhões de pessoas

Faz hoje (15 de Junho de 2006), que o ex- primeiro ministro português António Guterres foi escolhido para Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Não vale a pena ironizar sobre a sua incapacidade para governar 10 milhões de portugueses e a actual responsabilidade de olhar por mais de 20 milhões de refugiados por todo o mundo.
Ainda é cedo para fazer um balanço da sua acção, julgo até que será impossível algum dia fazê-lo, pois como diz António Guterres, “As crises antigas persistem, são difíceis de resolver, e cada dia surgem novos palcos para o ACNUR”.
Numa passagem por Lisboa para receber um prémio atribuído pelos jornalistas estrangeiros radicados em Portugal, António Guterres desabafou que os meios de comunicação contavam todos os dias os mortos no Iraque, mas que haviam mais mortos no Congo e que nunca eram contados.
No Público de hoje (http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1260804&idCanal=15) e questionado sobre a situação da província sudanesa do Darfour, António Guterres responde assim: “A visão francesa, americana, chinesa e russa não coincidem. O petróleo é uma questão central. O Sudão tem petróleo e há um relacionamento privilegiado de alguns países com o governo de Cartum. Quando os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança não se entendem, as Nações Unidas ficam completamente impossibilitadas de agir.”
Ao lerem a entrevista apercebem-se que António Guterres expõe o que deveria ser o norte da política internacional para estas situações, dizendo que “Do ponto de vista ético, todas as vidas humanas têm o mesmo valor”.
Assim deveria ser, mas quando a própria Nações Unidas assume que seis milhões de sudaneses, três milhões só no Darfour, vivem da ajuda internacional. Dois milhões tiveram de fugir e estão em situação precária e que oficialmente já morreram mais de 180 mil pessoas.... só me resta desejar a António Guterres toda a sorte do mundo, toda a esperança e toda a energia, todo o entusiasmo, toda a perseverança e obstinação que consiga ter. E que daqui a outro ano não estejamos cá a fazer balanços ou a analisar números, mas sim a reconhecer novamente a importância do seu papel e o orgulho que ele deve despertar em todos nós. E quem sabe aí poderemos ironizar e dizer:
- Tudo bem, vamos esquecer essa tua tal de maioria relativa que ajudou a nos levar a essa tal de crise e que pariu esse tal de défice.

A febre da genealogia e a descendência de nobres, vadios e padres !?

Pelos visto os portugueses andam atentar reabilitar a sua ascendência familiar. Claro que isso deve ser só coisa para consumo interno, pois não estou a ver que os índices de desenvolvimento humano da Noruega ou da Suécia tenham por base a sua ascendência. Sei que na Itália do sul essa coisa de ascendência tem alguma importância, são famosos os padrinhos italianos...
Mas no nosso Portugal o que se procura é tudo menos estabelecer uma rede mafiosa, mas sim o que eu chamaria uma “rede orgulhosa/vistosa/jeitosa/famosa”, e pelos vistos aumentou e muita a procura de um conhecimento, o mais preciso possível sobre os seus antepassados. Sei também que muitos brasileiros que aspiram a ter nacionalidade portuguesa tudo fazem para provar que o seu bisavô nasceu deste lado do Atlântico.
O curioso da questão é que nestas buscas há pelos vistos duas conclusões ou duas metas que se sempre se alcança, a primeira é que somos todos descendentes de D. Afonso Henriques e a outra mais generalizada é que somos em suma todos descendentes de nobres, vadios e padres.
As duas primeiras ainda vá que não vá, agora acreditar que posso correr o risco de ter de explicar à minha avó que o seu tetravô ou por aí adiante era padre, vai ser o cabo dos trabalhos.
Para os interessados http://genealogia.netopia.pt/. Claro que se arriscam a ter que dar a tal explicação...

Terça-feira, Junho 06, 2006

A alma do meu país.

É célebre a frase, “uma imagem vale mais do que mil palavras”, por vezes é assim, podemos constatar isso no meu texto anterior (Retractaram-se? Boa sorte selecção...), mas por vezes e para quem é levado pela emoção como fui pela aquela imagem, por vezes um acorde e um bom fado também valem por mil palavras. Para quem o tiver nas suas preferências é melhor ouvi-lo agora, para quem o quer conhecer aqui fica a sua letra:

Este doce recordar
que amargamente me invade
talvez que não tenha nome
talvez se chame saudade...

Vem da guitarra ao meu peito
cantando vai seu pranto
talvez se chame saudade
no que chora no meu canto...

Que a alma do meu país
talvez se chame saudade
Que a alma do meu país
talvez se chame saudade…

E embora na alma doa
talvez se chame saudade
o que em nós de longe ecoa
de outros tempos, de outra idade...

Talvez se chame saudade
a voz que a guitarra entoa
pungente suavidade
que faz vibrar mas magoa...

Que a alma do meu país
talvez se chame saudade…

Que a alma do meu país
talvez se chame saudade…

A guitarra e a saudade têm a mesma raiz
são da beirinha do mar
são da alma do meu país...

Que a alma do meu país
talvez se chame saudade...

Talvez se chame saudade - Mafalda Arnauth
Por bolandas do Fado, fica aqui uma pintura chamada Fado de José Malhoa. E por bolandas da pintura portuguesa fica aqui um blog interessante www.pintoresportugueses.blogs.sapo.pt.

Segunda-feira, Junho 05, 2006

Retractaram-se? Boa sorte selecção...

Ontem pela tarde as televisões portuguesas e as rádios deram em directo a chegada da selecção de Portugal ao seu local de estágio, toda a gente viu as imagens, milhares e milhares de emigrantes a saudar e a dar força aos jogadores. E os jogadores? Nem 30 segundos tiveram para saudar aquela gente toda... os milionários saíram emproados e lá foram à sua vida!
Quase nem dei por eles (eu e os emigrantes), alguns que vieram de muito longe para ver a sua bandeira, o seu orgulho em serem portugueses.... e foi o que se viu.
Responsáveis? Não sei, e nunca saberei, ou não estejamos a falar de Portugal, onde a culpa é uma solteirona de idade avançada.
Pelos vistos hoje alguém iluminou os tais desconhecidos responsáveis, e houve um treino à porta aberta com imagine-se, 12 000 pessoas a assistir.
Depois daquela chapada de ontem, ainda estão para as curvas esses briosos portugueses. No fundo da minha emoção, desejo que esses emproados (arrogantes?) sejam capazes de ao menos dar o máximo de alegrias a esses fiéis seguidores. Força Portugal!

Sábado, Maio 20, 2006

Deslizar pela rampa abaixo...

Normalmente ao ler um jornal nunca leio o editorial, talvez por não ser notícia, não sei explicar. Mas há sempre uma excepção e no Público de 10 de Maio acabei por furar essa regra, o Editorial tinha o título de A Rampa Inclinada e era de José Manuel Fernandes para os menos familiarizados com o jornal. Resolvi pela qualidade e assunto do referido texto transcrever para aqui o último parágrafo do mesmo, passo então a citar:
“É claro que outro sentido de responsabilidade nas relações sociais tal como outro sentido de prioridade nos comportamentos pessoais também contrariaria esta nossa atitude de assistirmos à decadência relativa sem um sobressalto. Querem um exemplo? Notam a atracção pelo que não é essencial e pelas aparências, domínios em que Portugal dá cartas. Basta pensar no número de telemóveis por habitante ou na ainda mais impressionante estatística do número de automóveis por mil habitantes, indicador que estes portuguesinhos remediados fazem questão de se colocar em terceiro lugar no ranking europeu, só ultrapassados pelos luxemburgueses e pelos italianos. Afinal, se estamos condenados a deslizar rampa baixo, ao menos que o façamos de automóvel...”
Hilariante! Digo eu.

O Mar


20 de Maio é o dia que a Marinha Portuguesa celebra como o seu dia. Apesar de não ser adepto do Mar ou das actividades náuticas tenho pelos amantes das mesmas um especial apreço. Não posso também negar que uma das matérias que mais gosto de leccionar é a referente aos descobrimentos e aos grandes feitos dos navegadores portugueses dos séculos XV e XVI. Normalmente os alunos ficam com orgulho em serem herdeiros daqueles aventureiros e destemidos marinheiros, pior é explicar-lhes como é que agora e apesar de continuarmos a ter uma forte ligação com o Mar, a paixão dos portugueses por ele e o espaço que ele ocupa na agenda política dos nossos governantes é cada vez menor. Muitos se interrogam que com uma linha de costa tão vasta, tão bela e tão apreciada pelos outros, com um mar tão vasto, com tão ricos e valiosos recursos, onde anda a alma portuguesa que se diz ligada ao mar?
Ainda estou para ouvir de algum aluno mais esclarecido que até os suíços que nem mar têm, andam a alguns anos com uma embarcação que ganha e é sempre candidata a vitórias em grandes regatas como a Taça América que decorre neste momento, e é mesmo normal serem medalhados em algumas provas olímpicas de âmbito náutico.
Talvez quem sabe um dia destes tenhamos novamente de nos virar para o Mar... para celebrar o dia da Marinha e de todos aqueles que vivem e admiram o Mar, relembro Platão que dizia: “Há três tipos de Homens, os vivos, os mortos e os que andam no Mar”.
A foto é também ela uma homenagem a uma terra de Homens do Mar, neste caso numa perspectiva mais regional...

Sexta-feira, Maio 12, 2006

Protesto despido

Na Cimeira União Europeia – América Latina a maioria da “família” aqui representada estava mais preocupada com a posse ou com a nacionalização da indústria dos hidrocarbonetos na Bolívia, que retira às multinacionais o monopólio sobre os mesmos, naquele que é um dos países mais pobres da América Latina.
Contudo sempre há alguém que compreende a política de Evo Morales, como por exemplo a comissária europeia das Relações Externas, a austríaca Benita Ferrero-Waldner, que afirmou que "em certas alturas, as desigualdades abrem o caminho aos populistas. Os povos querem igualdade e o fim da pobreza".
Nestes encontros há também quem aproveite para fazer valer a sua voz, como por exemplo a menina da foto que se fez passar por uma jornalista e mostrou a toda “família” da foto um cartaz de protesto contra a poluição provocada pelas fábricas de derivados de madeira na Argentina e no Uruguai. Foi o seu momento de fama e passou a mensagem.
Outros houveram que por lá também andaram, como por exemplo a Greenpeace, que protestou com o governo brasileiro pois como dizem no seu site:
"O Brasil é o campeão mundial de futebol mas, infelizmente, o País também é o campeão do desmatar da Amazónia, que está sendo convertida em plantações de soja, usada para alimentar gado e frango na Europa, a um ritmo alarmante", disse Christoph Thies, um dos coordenadores da campanha de florestas do Greenpeace. "Os consumidores europeus não querem comprar e comer produtos que promovem a destruição da Amazónia, a maior floresta do mundo".
Pois então fica a mensagem, para nós que podemos adoptar esta causa, mas principalmente para a “família” da foto que deveria ela sim, ter adoptado há muito esta causa!

Segunda-feira, Abril 24, 2006

25 de Abril de 1974, Viva a Revolução!


"Fui preso e levaram-me para o Aljube, uma cadeia sinistra, que fechou em 1966. (...) Os «curros» do Aljube eram espaços de quatro palmos por oito, nalguns casos. (...) Nem parecia que fosse sítio para meter gente.
Na António Maria Cardoso (sede da PIDE) a rotina habitual:
- Senhor Oneto! Daqui só sai de gatas e a lamber o chão... Enquanto não falar não sai.
Aplicaram-me a tortura do sono. Às tantas perdia-se a noção de estar sentado ou de pé. Ao quarto dia ou ao quinto vinham as alucinações. (...) As pernas incharam-me de tal maneira que rebentaram as calças e os sapatos. (...) O Tinoco disse-me:
- Você não fala e isto agora vai piorar. A partir da meia-noite leva pancada.
De facto, à meia-noite entraram quatro facínoras que me bateram até às cinco da manhã. Sem armas. Espancamento de luxo. Se eu fosse, por exemplo, um mineiro de Aljustrel, atiravam-me com as cadeiras, com a mesa, agrediam-me à paulada."

In Fernando Oneto, Diário de Notícias, Fevereiro de 1975

Sábado, Abril 22, 2006

A globalização chegou à escola...



É por demais evidente que nos nossos dias vivemos numa dinâmica de proximidade com todas as partes do mundo, seja através dos meios de comunicação social: com os directos de Bagdad onde há minutos explodiu mais uma bomba; através dos bens de primeira necessidade: com as uvas do Chile que nos chegam em pleno mês de Março; na equipa de futebol do nosso clube: que tem jogadores de diversas nacionalidades e de diversos continente; e sobretudo através das diversas manifestações culturais, dos mais diversos pontos do globo: do hip-hop americano, da música africana, da gastronomia indiana, das artes marciais orientais, das bebidas espirituosas russas, do chimarrão brasileiro, dos desportos radicais australianos e até mesmo da dança do ventre para juntar à rica herança árabe que por vezes desconhecemos.
A globalização é tudo isso e muito mais, é imposta pela imparável evolução do mundo, poucos conseguem ver as suas influencias, mas ela está presente em todo o lado.
Na minha profissão ela é cada vez mais uma certeza, os alunos são das redondezas da escola, mas também são do Brasil, da Venezuela, da Ucrânia, do Bangladesh e do Paquistão. Alunos que nem se dão ao trabalho de questionar esse pormenor, ouvem as mesmas músicas, vestem as mesmas modas, falam dos mesmos assuntos e partilham um mundo corriqueiro... fruto da globalização. Há quem tenha tido o privilégio de ter vivido grandes circunstâncias relacionadas com grandes invenções ou momentos históricos assinaláveis, no nosso caso vimos aparecer em força a globalização, que num processo algo discreto vai marcar para sempre a nossa sociedade. Por detrás da globalização e da uniformidade que alguns apregoam (os norte-americanos tendem a crer que os países evoluirão e serão como eles...), existe a cultura e a identidade de cada um e cabe todos preservá-la e se possível difundi-la. Quanto à identidade dos meus alunos podemos vê-la aqui na língua, mais precisamente no registo escrito da mesma. Da esquerda para a direita apresento-vos: Portugal (ah ah), Bangladesh, Paquistão e Ucrânia, em suma a globalização. (Clique na imagem para ampliar)

Segunda-feira, Abril 03, 2006

Assíduos, pelo Património.


Destes dois grupos fazem parte alguns dos visitantes mais assíduos aqui do blog. Pudera, andam todos ao mesmo, dar graxa ao professor. Boas Férias a todos. Espero que a visita tenha servido para uma ainda maior valorização do nosso património.

Um poema sempre actual...

Rifão Quotidiano

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece
.


Mário Henrique Leiria, in Novos Contos do Gin Tonic, 1973

Sábado, Março 18, 2006

Otpor (resistência em sérvio)

"Não esperes até que alguém que tu amas seja morto. Não esperes até que a última fonte seja envenenada. Não esperes até quando já for tarde de mais para tudo - resiste."

Estes eram os grafittis, escritos com grande risco por aqueles que ousaram desafiar a liberdade contra um regime opressor que condenou à morte em uma guerra fraticida toda a região dos Balcãs, criando feridas que ainda hoje não se afiguram fácil de sarar.
Dos culpados, alguns foram presos, outros escondem-se, mas no final todos se resumem à simples condição humana. Apesar do mediatismo que tem rodeado todo o acontecimento (?), há quem diga por essas terras, que apesar de todo o mal cometido, nem do maior rancor ou do maior ódio que se possa sentir por alguém, nem desses ele é merecedor, quanto mais de tamanha cobertura televisiva...

Atavismo, Irmãos "quadrúpedes" intrigam cientistas


Segundo o Dicionário Universal de Língua Portuguesa da Texto Editores, atavismo significa o: reaparecimento, no ser animal ou vegetal, de características só existentes em ascendentes relativamente afastados; ou semelhança com os avôs.
O caso que recentemente foi notícia, ao ser um caso de atavismo, será uma semelhança com um parente mais longínquo que um “simples” avô, que me perdoem os meus avôs (só conheci um, Francisco Leça) pelo atributo utilizado.
Refiro-me a uma reportagem da BBC, que mostrou uma família do Curdistão turco, da qual cinco dos seus membros caminham somente sobre os pés e as mãos. Muitos julgam que por aqui se poderá descobri muitos aspectos referentes à evolução humana. Dois desses irmãos nunca usaram para caminhar unicamente os pés, não o conseguem fazer, os outros já o fizeram.

"Nicholas Humphrey e Unter Tan, especialistas que contactaram directamente com a família, acreditam que este comportamento se deve à estrutura genética especial dos irmãos, que os terá levado a recuperar uma forma de locomoção abandonada ao longo da evolução humana." in DN 2006/03/09
A comunidade científica parece dividida, entre a possibilidade de atavismo, como defendem os especialistas referidos em cima, ou de um dano cerebral como apontam outros.
Seja qual for a conclusão final dos estudos realizados, vou continuar a caminhar (por breves segundos) sobre os pés e as mãos no início de cada ano lectivo, na caricata cena representativa da evolução humana, que finaliza com:
- Perceberam o que significa bipedia? E quadrúpede?
Espero que não me respondam.
- Bípedes somos nós, e quadrúpedes são os turcos!
Isto nunca irá acontecer, pois os meus alunos não lêem jornais nem vêem telejornais, pelo menos os que andam rendidos ao Hip-Hop ou aos Morangos com Açúcar, o que é a grande maioria. E se por ínfimo acaso isso suceder, lá terei de despender uns minutos a criticar a resposta dizendo:
- Essa é uma das atitudes mais xenófobas que tenho ouvido nos últimos tempos, e não a posso tolerar? Onde foste buscar essa ideia? A algum blog?

Segunda-feira, Março 06, 2006

Lindas


Primeiros sinais da Primavera no meu jardim, antecipadas mas bonitas. Falta ver se as próximas serão tão formosas como as pioneiras.

Sábado, Março 04, 2006

O paraíso nesta esquina...


“Bali é pequena. Olho para um mapa da Indonésia e nem a sua dimensão, nem o papel comercial, nem a posição geopolítica justificaram jamais a notoriedade desta ilha no imaginário colectivo do Ocidente. No entanto, Bali brilha nos desejos de errância do «homem branco» desde há vários séculos: o paraíso é aqui, nesta esquina do planisfério, a meio caminho entre a Ásia e o Pacífico, entre o exotismo da Cochinchina e as baladas salgadas dos mares do Sul.”

O título do post é o mesmo de uma das muitas crónicas que Gonçalo Cadilhe escreveu para o Expresso ao longo da sua viagem de volta ao mundo, mais tarde publicadas no livro Planisfério Pessoal, editado pela Oficina do Livro. O primeiro parágrafo é um pequeno extracto dessa crónica.
Muita coisa podia ser dita sobre a sua viagem, os seus propósitos e as imensas peripécias que a rodearam. Conhecia alguns momentos, de leituras ocasionais da revista do Expresso ou até mesmo de algumas entrevistas do escritor/viajante. Ainda não comprei o livro, mas conto fazê-lo. Argumentos? Tudo o que já li, ouvi e sobretudo a magia que foi a palestra do Gonçalo lá na escola, toda aquela vivência é um fascínio, um acumular de uma riqueza que deve ser viajar, conhecer pessoas, locais remotos e únicos. Como as suas histórias indicaram, uma vivência em suma indescritível.
Serve este post para agradecer a disponibilidade que o Gonçalo demonstrou perante o convite e o encantamento que transmitiu a todos os presentes.
Dias depois, ao questionar um aluno sobre a palestra, a resposta foi:

- Apesar dele (Gonçalo) ter dito que não devia chegar a casa e dizer aos meus pais que tinha encontrado o meu modo de vida: viajar, surfar, conhecer pessoas e lugares, e escrever sobre isso tudo. Acredite que foi o que me mais me apeteceu fazer naquele dia quando cheguei a casa.

Ao meu aluno e a mim mesmo, o que nos alegra ainda mais é que ficou a promessa, de que em próxima deslocação à Madeira, teremos novamente o Gonçalo lá na escola, para nos dizer que a sua (próxima) viagem correu às mil maravilhas. Pois em Março conta começar uma viagem de travessia do continente africano.
Vamos segui-lo nas suas crónicas semanais no Expresso e desejar-lhe toda a sorte do mundo.

“Muitos amigos por este mundo fora não sabem o meu nome. Chamam-me «Speedy». Não é uma alcunha, é uma sugestão. «Gonçalo» revela-se impronunciável nas apresentações em idiomas estrangeiros. Para não estragar a magia social do primeiro contacto, decidimos contornar o obstáculo linguístico com uma simpática solução de compromisso. «Gonçalo como Gonzalés, como o Speedy Gonzalés», explico. Ah, como o ratinho mexicano. «Call me Speedy». Ficamos todos contentes.”

Domingo, Fevereiro 19, 2006

Berlinale 2006 -Grbavica


A realizadora bósnia Jasmila Zbanic de 31 anos, venceu o Urso de Ouro, o prémio principal do festival de cinema de Berlim, com o seu filme Grbavica, onde expõe sobretudo muitas das feridas que ainda restam da guerra civil balcânica. No final e quando recebia o Urso de Ouro, lembrou que o seu país continua a enfrentar diariamente as feridas abertas pela guerra. Segundo o jornal Público a realizadora não se esquivou de deixa o seguinte apelo: “Quero aproveitar esta oportunidade para lembrar que, apesar da guerra já ter acabado, os criminosos de guerra [Ratko] Mladic e [Radovan] Karadzic ainda não foram capturados apesar das violações colectivas que organizaram”, afirmou, numa referência ao ex-comandante militar e ao antigo líder dos sérvios da Bósnia, procurados pelo Tribunal Penal Internacional. “Estamos na Europa e eu espero que isso mude”, afirmou Zbanic, longamente aplaudida.
Conto ver o seu filme, pode ser que daqui lá, o seu discurso já esteja ultrapassado, era um óptimo sinal... fiquem então com uma bonita imagem do filme.

Sábado, Fevereiro 18, 2006

Ayaan Hirsi Ali, a voz da coragem




Ayaan Hirsi Ali nasceu na Somália. Aos cinco anos foi alvo de mutilação genital por incitação da sua avó, que costumava dizer que a mãe de Ayaan Hirsi Ali tinha só um filho. Na realidade, tinha três: duas raparigas e um rapaz.
Em 1992, o seu pai pretendia casá-la com um primo residente no Canadá. Enquanto aguardava na Alemanha pelos documentos para entrar no Canadá, Ayaan decidiu fugir para a Holanda, onde recebeu o estatuto de refugiada. Trabalhou desde limpezas à tradução, mais tarde tirou o curso de Ciência Política na Universidade de Leiden.
Fez trabalhos de pesquisa sobre a integração das mulheres imigrantes nas sociedade holandesa e publicou um livro onde critica a posição das mulheres na cultura islâmica, o nome de capa é “Fábrica de Filhos”, luta também pelo fim da circuncisão feminina http://pt.wikipedia.org/wiki/Circuncisão_feminina) , muito comum no seu país a Somália e da qual foi vítima.
Em 2003 foi eleita pelo partido liberal VVD para o parlamento onde começou a expor a suas ideias e os problemas das mulheres muçulmanas na Holanda.
Face à sua postura foi por diversas vezes alvo de processos judicias e até de ameaças de morte. Após o assassinato por um religioso radical do seu amigo e realizador Theo Van Gogh, Ayaan teve de exilar-se nos Estados Unidos, o filme de ambos, "Submissão" sobre a posição das mulheres da religião foi o mote para tudo isso.
O ano passado voltou ao seu lugar no parlamento e por agora vive sobre a protecção diária de guarda-costas e foi considerada pela revista TIME uma das cem pessoas mais influentes de 2005 a nível mundial.
O seu trabalho tem tanto de perigoso como de mediático, participa com muita frequência em programas de televisão, num desses casos uma jovem marroquina contou aos produtores do programa que receava pela sua vida perante a sua própria família, que lhe batia e chamava prostituta por querer sair com os amigos e vestir roupas ocidentais. Ayaan ouviu a história da rapariga e depois levou-a à Polícia, que disse: "Não podemos fazer nada. Há tantas raparigas na mesma situação e isso não é trabalho de Polícia..."
Perante isto, acolheu-a em sua casa durante quase um ano, proporcionando-lhe uma oportunidade de concluir a universidade.
"Todos os dias me encorajava", diz a jovem protegida, que tem agora um emprego e o seu próprio apartamento. "Graças a ela, sou mais forte. Para as mulheres da minha comunidade é muito difícil e perigoso falar abertamente. Ayaan faz isso por nós. Precisamos dela."
Ayaan é uma figura franzina, de voz suave e bem-educada, mas as suas palavras são fortes e poderosas. Nos três anos como deputada, fez aprovar uma série de medidas destinadas a melhorar as vidas das mulheres muçulmanas. "A via mais rápida para a integração é dotar estas mulheres de autoconfiança o mais depressa possível", acrescentando ainda que "Devem ter a liberdade de completar os estudos e arranjar emprego. Se as mulheres tiverem possibilidade de escolher os seus próprios parceiros e determinar quando pretendem ter filhos, educarão esses filhos de uma forma que lhes facilitará a adaptação à vida aqui, no Ocidente."
Um dia, numa cervejaria em frente ao Parlamento Holandês, em Haia, um jovem aproximou-se dela e disse: "Minha senhora, espero que os mujahedin a encontrem e matem." Hirsi Ali estendeu-lhe a sua faca de cortar manteiga, e questionou-o:
"Porque não trata você mesmo disso?". Ele retirou-se.
Recentemente deu uma entrevista ao Expresso, podem lê-la em
http://online.expresso.clix.pt/opiniao_int/artigo.asp?id=24754934

Domingo, Fevereiro 12, 2006

World Press Photo


O fotógrafo canadiano Finbarr O´Reilly foi proclamado hoje vencedor do prémio Foto do Ano do World Press Photo 2005, com uma imagem de uma mulher nigeriana e de seu filho faminto.
A foto captada em Tahoua, no noroeste do Níger, num centro de alimentação de urgência em Agosto de 2005. A escolha não era fácil, pois a concurso estavam 83044 fotos, de 4448 fotógrafos.
"Esta imagem tem de tudo: beleza, horror e desespero. É simples, elegante e comovente", afirmou o presidente do júri, James Colton, no comunicado em que foi anunciada a lista dos vencedores. Esta foi a 49ª edição dos prémios, na qual os 14 membros do júri internacional premiaram 63 fotógrafos de 25 países.
Para quem é apaixonado da fotografia ou quer rever o ano de 2005 de relance, pode sempre visitar o sítio http://www.worldpressphoto.nl/, as fotos são fabulosas e são apresentados os vencedores em diversas categorias.
Destaco entre outras a foto vencedora, a segunda classificada da categoria Contemporary Issues, a primeira de Stories e todas as da categoria Nature. Apesar desta selecção pessoal, considero que é muito difícil a escolha e eleição de uma única foto entre as que no site são apresentadas, imagine-se então escolher entre 83044 fotos (!?). Já agora façam vocês as vossas escolhas.
Para que não se limitassem a ver aqui a foto vencedora (terão de visitar o sítio atrás referido), acabei por seleccionar uma outra que mostra um momento da violência que rodeou as eleições presidências no Togo entre 22 e 27 de Abril de 2005, e o seu autor foi o fotógrafo Ben Curtis da agência The Associated Press, UK.

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006

Fraqueza ou Firmeza?

Na recente e inflamada polémica dos cartoons do dinamarquês Jyllands-Posten, temos visto as mais variadas reacções e manifestações, até violentas, por todo o mundo islâmico.
Do lado de cá argumentamos com o primado da liberdade de imprensa e de expressão em todas as suas formas possíveis e imaginárias, entre elas os cartoons. Argumenta-se com o laicismo típico da maioria dos países ocidentais, e até já há quem tente desvalorizar a questão. Num mundo que cada vez mais dividido, nos seus diversos aspectos, qual a nossa postura? A de confrontar estas sociedades com a nossa tolerância? Com a nossa liberdade de expressão? Sempre é uma postura de firmeza, mas a mim parece ser uma postura de imposição dos nossos valores, com a mesma intensidade que eles tratam de impor os seus. Fazer chacota da religião dos outros não é com certeza a melhor maneira de nos aproximar do mundo islâmico, publicar aqueles cartoons (especialmente o da bomba/turbante de Maomé) repetidamente como se tem feito em alguns países europeus, é a meu ver a catalogação fácil e até culpabilização de milhões de muçulmanos que não adoptam uma postura radical e violenta, são milhões de pessoas que se poderão sentir lesadas.
Não podemos também rebaixarmo-nos perante os radicais, os fanáticos e todos os extremistas, que criam grandes campanhas de desinformação das populações, a maioria analfabeta e de fácil recrutamento em grupos sociais extremamente carenciados nos mais variados aspectos, campanhas essas de simples propagação do ódio. Rebaixarmo-nos perante estes fanáticos é abrir um precedente irreversível onde nada será tolerado. Isto será uma postura de fraqueza.
Onde estavam os milhares que violentamente se manifestaram em Cabul estes dias pela liberdade religiosa, quando se destruíram os Budas de Bamiyan?
A solução passa por um reequilibro de posturas, em que cada um propagandeará e cimentará a tolerância e o respeito pelo outro, em todas as suas diferenças incluindo as religiosas. Onde cada um não deverá ceder espaço aos preconceitos e discriminações, no seu dia a dia, no seu discurso e até nos seus cartoons. Para que não se discutam firmezas ou fraquezas, deveríamos investir em um diálogo cultural e religioso, em suma inter-civilizacional, que é sem dúvida uma das grandes lacuna dos nossos tempos. No fim ninguém se espantará se não restar espaço para os referidos extremista ou para os referidos cartoons. Os dois que pessoalmente dispenso e reprovo.

Terça-feira, Janeiro 31, 2006

A delegada rigorosa

Na minha direcção de turma existem umas quantas personagens que teimam em desafiar todas as leis da gravidade e todas as estratégias são poucas quando lidamos com malta como: os jogadores da bola, as meninas do artesanato (que descobriram à pouco a arte de fazer pulseiras com uns plásticos quaisquer), os fanáticos do mp3 e do telemóvel, os artistas multifacetados que gostam de dar nas vistas (apesar de constantemente avisar-lhes que o circo é mais típico da época natalícia...) e felizmente todos aqueles que trabalham imenso e que sim, sabem por onde vão e onde querem chegar.
Mas nesta aventura e perante tanta representação das referidas personagens, há sempre imensos episódios divertidos, vejamos: a delegada de turma ficou encarregue de apresentar uns relatórios quando a turma se comporta mal ou de forma menos correcta ( linguagem mais democrática...), passo a transcrever um dos últimos relatórios.
“ João – teve sempre a falar;
Duarte – foi a casa de banho demorou muito e teve falta;
Luís – foi a casa de banho demorou muito e levou falta;
José - andou sempre a falar e teve levantado;
Filipe – teve sempre a falar;
O Filipe e o Luís mudaram de lugar; mandei a turma calar-se várias vezes e ninguem calou-se

Observações: todos os nomes são fictícios, não vão os artistas entrar em contacto com este espaço e decidirem ensaiar uns novos números agora pelo Carnaval. Em relação ao discurso extremamente elaborado da delegada, cabe-me realçar que a caligrafia é impecável. Aguardemos por cenas dos próximos capítulos.

Sexta-feira, Janeiro 27, 2006

“Dou mil voltas ao pescoço para dar o nó na gravata...”


Costumo ouvir com paixão a música dos Cabeças no Ar “Nó da Gravata”, a partes tantas os artistas dizem que “pois só quem fizer bem, esse nó tão transcendente pode vir a ser alguém com um G grande de gente”.
Mas assim não é. Evo Morales o recém-empossado presidente da Bolívia não sabe dar o nó na gravata, ou pelo menos não se apresenta com ela, pois toda a gente sabe que o status não está em dar o nó na gravata mas em apresentar-se de gravata. Pois bem, “El Evo” como lhe chamam os seus, não se apresenta de gravata nas campanhas? Não! Em todo o lado e até na cerimónia de tomada de posse o homem não levou gravata! Foi tudo muito informal.
Evo é filho de camponeses pobres aymaras e quechuas, foi pastor de lamas e os índios, dos quais faz parte, representam 60 por cento da população de 8,5 milhões de habitantes da Bolívia. E pela primeira vez desde a sua independência em 1825, imagine-se, “El Evo” é o primeiro presidente índio. As centenas de jornalistas que esperavam as cerimónias de ascensão ao poder, ansiavam por um presidente que subisse ao palanque com o próprio disse “com uma coroa de penas na cabeça”, mas isso não aconteceu. Evo Morales fez sim uma cerimónia em homenagem ao povo indígena e às suas raízes, onde numa cidade pré-inca foi entronizado por alguns sacerdotes índios, descalço e trajando a rigor, foi aplaudido por milhares de índios que tinham percorrido a pé muitos quilómetros para assistir à cerimónia, que visou pedir aos deuses andinos ajuda e apoio para o Presidente, transmitindo-lhe energias positivas.
Mas Evo Morales, incomoda muita gente, pois apoia e faz-se acompanhar de Chavez e até de Diego Maradona, mas isso é parte do tradicional populismo sul-americano, esperemos. Claro que acaba sempre por ser um alerta para seguir com atenção as suas políticas.
Mas como chegou a ser eleito? Como reuniu tantos apoios, até de intelectuais, passando pela classe média e empresários? Pois é da esquerda radical e anti globalização, elegeu os EUA como principal alvo, e é estranho reunir este relativo consenso no apoio, mas conseguiu-o.
Como dizia o DN um dia destes e para que possamos responder à questão anterior: “Evo Morales é filho de uma Bolívia que, apesar de ter a segunda maior reserva de gás natural da América do Sul, continua a ser o mais pobre país do subcontinente. É fácil zurzir em Evo Morales e, por essa via, ridicularizar a democracia, essa imperfeitíssima forma de governo. Mais difícil será convencer os bolivianos de que estão a ver mal o problema. Que o sistema que os mantém na pobreza é, bem vistas as coisas, o ideal. E mais difícil ainda será mudar a forma como os grandes conglomerados económicos governam o mundo, criando riqueza nuns sítios e pobreza noutros.”
Para já temos aí uma das suas primeiras medidas como presidente. Recentemente “anunciou uma redução de 50% do salário que irá receber quando tomar posse. A mesma medida será aplicada ao vice-presidente, aos ministros e parlamentares. As verbas conseguidas serão aplicadas num fundo social para os sectores da saúde e da educação.”
Populista? Dou-lhe por enquanto o benefício da dúvida, nem que seja pela ausência de gravata. Por enquanto e volto a citar os Cabeças no Ar: “Muita água há-de passar lá no meu porto de abrigo, mais depressa hei-de dar, hei-de dar... um nó bem dado contigo.”

Terça-feira, Janeiro 17, 2006

Javali a fiar, Burro a ler Salmos, Raposa a pregar às Galinhas e Caldo entornado. De bradar aos céus, ou não?

Na solicitação de um trabalho sobre a Sé do Funchal para a disciplina de História, Geografia e Cultura da Região, já antecipava que o espanto iria grassar se fosse dado especial destaque ao cadeiral daquela que foi a primeira diocese do novo mundo. E assim foi. O recheio desta diocese é excepcional, algumas dos seus primeiros elementos estão expostos no Museu de Arte Sacra do Funchal. Mas para quem se desloca à catedral pode observar nas paredes laterais um cadeiral manuelino muito sui generis, onde na fila inferior temos variados elementos de influência medieval, esculpidos nos braços das cadeiras e nos assentos do cadeiral. Podia destacar aqui a fila mais alta que apresenta imagens dos Apóstolos e dos Profetas, mas vou destacar o oposto, precisamente o pagão, o profano em oposição ao sagrado. Segundo os especialistas esse cadeiral apresenta isso mesmo, uma oposição entre o erudito e o popular, o quotidiano e a lenda. Pelos vistos estes elementos aqui elaborados pelos artesãos da época e como se situam em locais menos acessíveis à sociedade em geral eram permitidos pelas entidade religiosas. É uma execução de trabalhos que faziam uma crítica social, por vezes dirigida às próprias estruturas eclesiásticas. Se a decoração é sui generis, o mesmo se poderá dizer da tolerância das entidades religiosas que permitiram estes pormenores artísticos pagãos num local de culto.

Javali a fiar


A castidade feminina na época era representada por uma moça a fiar, pois “a fiar e a tecer ganha a mulher de comer”. Mas ao representar um javali na fiação doméstica era sinónimo de prostituição.

Burro a ler Salmos e Raposa a pregar às galinhas

Sátira ao baixo clero que era o que estava mais perto do povo e que era também algo ignorante. Por vezes muitos entravam nas ordens sacras praticamente analfabetos e sem formação espiritual. Existem relatos de padres que não se falavam e de trocas de palavrões, chegavam a haver cenas de desacatos, havendo até segundo algumas fontes brigas memoráveis. Isto para não falar em frequentadores de tabernas e amancebados. A relação com a raposa é a simples análise do engano, todos sabem qual o fim das galinhas quando a raposa entra na capoeira.

Caldo entornado

A eterna representação dos conflitos entre casais. Este exemplar é da mesma temática satírica, mas do cadeiral de Santa Cruz de Coimbra. Muito observadores os tais artesãos...

Domingo, Janeiro 15, 2006

Há sempre uma outra face...



Em uma ronda ocasional por alguns jornais que se publicam na net, encontrei esta referência a uma fotógrafa iraniana de nome Shadi Gharidian em www.zonezero.com/exposiciones/fotografos/ghadirian/indexsp.html, a sua galeria mostra uma série de fotos de uma artista que soube juntar a tradição e a tirania do shador (túnica islâmica que cobre as mulheres da cabeça aos pés) à arte da fotografia. Como a própria diz nesse site o seu tema de trabalho parece ser com frequência as mulheres e a realidade das mesmas no Irão. Para o resto do mundo, quando falamos de mulheres iranianas sempre nos ocorre um shador negro, por isso é que a artista tratar de retractar a mulher no Irão para além dessa realidade, o que não significa que vá muito além ou se desprenda do shador.
Já nem me recordo qual foi o jornal que me serviu de fonte, se o uruguaio El Observador (http://www.observa.com.uy/) ou o chileno La Tercera (http://www.tercera.cl/), mas foi curioso ver que mesmo num país extremamente conservador e onde as políticas parecem ser cada vez mais o que menos se espera, veja-se a teimosia do restabelecimento do programa nuclear e as declarações do presidente Mahmoud Ahmadinejad (ler neste blog Assim vai o mundo pelo Natal), ainda existe quem tenha a coragem e a irreverência para evoluir e mostrar ao mundo uma outra face do Irão.
Já agora por curiosidade, um dos momentos históricos da sociedade iraniana, para nós um tanto ou quanto ridículos, foi quando em 1999 o Ministério da Educação decidiu que cores alegres e suaves estariam autorizadas nas escolas primárias, com a condição de que não sejam chocantes e estejam em harmonia com o espírito educacional, pois considerou-se que o uso de cores claras ajuda a criar uma atmosfera jovial e a preservar a saúde mental dos estudantes.
Agora compreendo muita coisa, o actual presidente é uma vítiam do sistema, pois frequentou a escola quando ainda não eram permitidas as cores alegres e suaves e assim não preservou a sua saúde mental!
Não admira que os principais sites estudantis iranianos, apregoem que o presidente usa um penteado “risco ao meio” de forma a separar os piolhos machos dos piolhos fêmeas, com base na discriminação sexual iraniana! Há quem diga que é piada...

Quinta-feira, Janeiro 12, 2006

Acolhimento

Terça-feira, Janeiro 10, 2006

Portugal acolhe 12 refugiados

Nas minhas aulas de Formação Cívica além de andar a despender o meu tempo com actividades que deveriam pertencer aos pais e que estes teimosamente delegam na escola (principalmente no domínio das atitudes e valores dos alunos), sobra sempre um pouco para leccionar os verdadeiros propósitos da Formação Cívica. Para quem não faz parte do mundo da educação a nomenclatura da disciplina não levanta dúvidas sobre os seus propósitos.
Um dos conteúdos que nunca abdico de trabalhar com os meus alunos é o dos Direitos Humanos, começamos sempre pela Declaração Universal dos Direitos Humanos (http://www.unhchr.ch/udhr/lang/por.htm) , passando pela O.N.U., momento em que não me livro sempre de que alguém me responda:
- Ah! O Jogo do Uno! Sei muito bem...
Mas o que interessa é que os meus alunos possam ter a noção de que o nosso mundo é multifacetado, até mesmo na interpretação de um documento simples como é a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
É curioso ver como conseguem identificar com facilidade muitas dessas situações de incumprimento, de como vão tomando noção que os problemas do resto do mundo são enormes face aos seus, só não são mais graves porque não são os seus. E eu perdoo-lhes esse egoísmo e narcisismo, pois de uma maneira ou de outra actuamos todos da mesma maneira...
Quando lhes digo que o drama dos refugiados e dos clandestinos das pateras que cruzam diariamente o Estreito de Gibraltar, a par do que viram há meses na TV com as constantes tentativas de transposição da dupla barreira de arame farpado que estava prestes a ver a sua altura duplicada, atingindo os 6 m, quando lhes digo que isso se passa aqui ao lado, a umas míseras duas horas de avião de Portugal, ficam alarmados e espantados. Sempre julgaram que era no terceiro mundo... lá longe.
Ficam alertas os meus alunos, ainda bem, e ficam com certeza orgulhosos de saber que o seu país, independentemente dos interesses ou negociatas políticas que possam estar por detrás desta acção (tomara que esteja errado), acolheu 12 das vítimas que sofreram as aflições daquelas imagens e daqueles relatos que lemos nas aulas, dos deportados à força para o deserto, daqueles que levaram meses e até anos à procura da felicidade e que quase lhes foi negada (http://online.expresso.clix.pt/1pagina/artigo.asp?id=24756490) . Felizmente para eles e para os seus, há muita gente que os respeita que os acolhe e os auxilia, e neste acolhimento simbólico de Portugal, está também o acolhimento de cada um de nós que somos este país.
Na verdade só estamos a cumprir a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O artigo? Talvez o primeiro:

Artigo 1º - Todos os seres humanos nascem livres e iguais em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Quarta-feira, Janeiro 04, 2006

Leituras


Já apareci por aqui anteriormente a recomendar-vos livros e como acabamos de sair de um período de férias, que é quando aproveito para pôr a leitura em dia, vou deixar-vos novamente dois títulos deliciosos. Em época de desejos... já agora boas leituras para 2006.
As delícias:

“A Balada de Johnny Sosa” de Mário Delgado Aparaín – Edições Asa, deste escritor uruguaio de escrita serena e cativante mestria fique admirador confesso. Apesar de ser a primeira obra sua que devoro, criei logo simpatia com a personagem do negro e desdentado Johnny Sosa que nas suas actuações, com a sua inseparável guitarra e com o seu canto indecifrável nos mostra que a personalidade de cada um é sempre o maior argumento, e que a resistência é desde sempre um estado da alma e não há nada que a molde. E mesmo que: “A rádio de Nacho já não ensurdece a vizinhança porque foi declarada subversiva. Já não se ouve o locutor Melías Churi e em breve deixarão de ouvir-se os risos das prostitutas brasileiras que animam o Chantecler. Em Mosquitos reina agora um silêncio só quebrado pelo ruído das botas militares.” Por isso resta a Johnny Sosa seguir os rumos da sua alma e resistir contra a opressão na forma que melhor o sabe fazer, cantando:

“Ai nid tubí fri
uait iú ander te trii
bat aiam a only man
an only black man
an… ou, beiby”
(do seu canto indecifrável Melancolia sobre os teus joelhos)

Posso ainda arriscar como sugestão: “Os Piores Contos dos Irmãos Grim” de Luís Sepúlveda e Mário Delgado Aparaín – Edições Asa, que ainda estou a ler e prometo transcrever muito do que me balançar a emoção. Dizem os críticos que este é: “Um livro inclassificável, uma brincadeira delirante, um atentado à seriedade dos leitores.” , que assim seja.

Ano Novo

Ele aí está e pelos vistos muito desejado. Aproveito para vos desejar um Feliz Ano Novo com tudo de bom !!!

Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Assim vai o mundo... pelo NATAL



Ao vasculhar umas notícias (de 14/12/05) li no Expresso estas afirmações do recém empossado presidente do Irão:
“Eles (os ocidentais) inventaram o mito do massacre dos judeus e elevaram-no acima de Deus, das religiões e dos profetas”, afirmou Mahmud Ahmadinejad, num discurso transmitido em directo pela televisão estatal iraniana. “Se alguém nesses países puser em causa Deus, nada lhe acontece. Mas se criticar o mito do massacre dos judeus, os altifalantes sionistas e os governos a soldo do sionismo começam a vociferar”, acrescentou o presidente num comício realizado no sudoeste do país. “A nossa proposta é esta: dêem um pedaço da vossa terra na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá ou no Alasca para que eles (os judeus) criem o seu Estado”, afirmou.
Associei duas ideias e relembrei-me que havia escutado na rádio, numa rubrica sobre cinema, que Mel Gibson está a trabalhar, julgo que não como actor, num projecto sobre o Holocausto de nome “Flory”. O mesmo Mel Gibson que no seu filme “A Paixão de Cristo” foi acusado pelos judeus e por alguns críticos como anti-semita. Será que nesse novo filme, que conta a história de uma judia holandesa acolhida e escondida pela família do seu namorado holandês, Mel Gibson se vai desmarcar dos rótulos anteriores que lhe colaram? E será que se vai demarcar categoricamente do seu pai, que faz parte de um grupo tradicional de católicos que segue doutrinas de um concílio papal do século XVI, conservadores e que acreditam em teorias de conspiração? Será que se vai desmarcar de seu pai, que defende que as missas têm de ser celebradas em latim, que o jejum seja obrigatório nas sextas-feiras, e que as mulheres usem chapéus na igreja? Seu pai que nega também a existência do Holocausto.
Fico à espera para ver. Incrivelmente no século XXI ainda se registam fenómenos como estes, em que uns propagandeiam o ódio, outros tentam traze-lo à ribalta, agitando-o suavemente com máquinas de propaganda que todos julgávamos ser conhecidas e por si só pouco credíveis e incapazes de arrastar adeptos. Mas pelos vistos não, as desigualdades apregoam-se, as aproximações ficam mais difíceis e a tolerância dá lugar à desconfiança, à discriminação, em suma à falta de humanidade.
Cabe-nos a nós estarmos atentos a todos estes fenómenos e estarmos atentos para os saber julgar e condenar. O meu propósito era deixar aqui um postal de Natal e vou fazê-lo, pois o Natal é: igualdade, fraternidade, amizade, tolerância, amor, paz, alegria, solidariedade, o Natal é ... humanidade!

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

Blog, alunos, miscigenação, empreendedorismo, Hip-Hop, bué e mulatas: que coisa boa!

Isto da blogosfera tem muito que se diga, temos um público desconhecido e do qual nada sabemos, nem sequer se ele existe!
Mas calma, temos um outro, o que sabemos que existe... no meu caso será somente eu, os mais chegados e ...a minha turma do oitavo cinco. Como são os de mais confiança acabei por pô-los a par. Resultado:
- A tua bochecha? Que nome giro!!! Tem fotos do prof.? – disse logo a fanática sportinguista.
- “Iá” que fixe! Um blog, cena marada, também tenho um! – dizia outro.
Falo-vos da primeira reacção, claro.
Não perderam a oportunidade de visitar a bochecha... e acharam:
- Fixe mas um pouco fatela!
Vá lá alguém compreender estes putos.
- Não tem mais fotos?!
- Não podemos deixar comentários?! Era preciso registar-se? Ah...
O que vale é que naquela aula sob o sumário de: “A penetração portuguesa no mundo asiático” eu acabei a falar-lhes da miscigenação, da aculturação, que se verificou nos territórios colonizados e “visitados” pelos portugueses a partir do séc. XVI. Falei-lhes de todo o orgulho que este fenómeno deve despertar em todos os portugueses e dos reflexos dessa miscigenação. Dei-lhes o exemplo da Língua Portuguesa, presente em diversos continentes, principal bandeira e património do nosso país, que devemos defender e preservar. Consenso geral.
Mas, o delírio total aconteceu em dois momentos da aula, que passo a descrever.

Quando se concluiu que os portugueses do séc. XV e XVI, foram tudo o que se espera dos portugueses de agora: afoitos, empreendedores; arrojados, diligentes e capazes. O total arrebatamento aconteceu quando alguém gritou, com jeito gingão e sonoridade hip-hop:
- Os portugueses eram muito à frente!
Gargalhada e orgulho geral.

No meio de tanta miscigenação, variações culturais, linguísticas e algumas críticas à globalização selvagem do séc. XXI, acabei a expor a origem angolana da expressão “bué”, pois o significado já todos assimilaram, usando e abusando da mesma. E por entre bués de variações, que passaram também pela luta/dança Capoeira negra transportada de África nos navios negreiros, alguém aludiu aos corpos esbeltos e aprumados dos brasileiros.
- Os mulatos? São resultado dessa miscigenação entre portugueses e indígenas de todas esta terras, neste caso dos africanos. – acrescentei.
Delírio total na hoste masculina, digo e corrijo, delírio na hoste masculina e feminina.
Não posso censurá-los, meio mundo os compreende e faço minhas as suas palavras, que foram estas:
- Uáuh!? As mulatas? Grande resultado esse, nunca pensei que uma palavra tão estranha levasse a algo tão bom!

Segunda-feira, Dezembro 05, 2005

Sugestão: "A espingarda do meu Pai"



“Chamo-me Azad Shero Selim. Sou o neto de Selim Malay. O meu avô tinha muito humor. Dizia que tinha nascido curdo numa terra livre. Depois chegaram os Otomanos e disseram ao meu avô: tu és otomano. Após a queda do Império Otomano, tornou-se turco. Os turcos foram embora e ele voltou a ser curdo no reino de Cheikh Mahmoud, Rei dos Curdos. Depois chegaram os ingleses e, então, o meu avô tornou-se súbdito de Sua Graciosa Majestade e chegou, até, a aprender algumas palavras em inglês. Os ingleses inventaram o Iraque, o meu avô tornou-se iraquiano, mas nunca chegou a compreender o enigma desta nova palavra, Iraque, e até ao seu derradeiro suspiro não sentiu qualquer espécie de orgulho em ser iraquiano; o seu filho, meu pai, Shero Selim Malay, também não. Mas eu, Azad, era ainda um miúdo.”

Mais do que um manifesto político, "A Espingarda do Meu Pai" é o relato, de uma simplicidade desconcertante, da luta permanente do povo curdo para conservar a sua identidade cultural,
(Descrição da editora).

Para mim foi somente mais um testemunho de um grande drama que é o da vivência do povo curdo. Quando a Turquia se candidata à União Europeia e nos alarma com a sua legislação discriminatória em relação às mulheres e outras facções da sua sociedade, toda a gente critica, mas como essa adesão parece pelo menos a longo prazo inadiável, ninguém põe o dedo na ferida.
A questão curda é a realidade da Turquia que se diz laica, moderna e que também é capaz de partilhar dos ideais da Europa, de Paz, de Solidariedade, em resumo de defesa dos Direitos Humanos.
Não será o silêncio cúmplice do mundo ocidental um dos principais incentivos para que a Turquia continue a perseguir e a vitimar um povo que só ambiciona a sua independência e autodeterminação?
Para quem quiser informar-se sobre esta temática e conhecer melhor a causa curda pode começar por ler esta sugestão... Saleem, Hiner "A Espingarda do Meu Pai" – Edições Asa

Domingo, Dezembro 04, 2005

Madeirenses Errantes I

Em 1839 chega à Madeira Robert Reid Kalley, médico escocês. Começou por ser louvado pelas autoridades pela suas obras beneméritas. O “bom doutor” fizera um hospital e escolas. Mas, em 1846, foi expulso por propaganda protestante. Com ele partiram dois mil madeirenses convertidos.
Nesta época a Madeira atravessou uma espécie de guerra civil, os convertidos foram perseguidos, há mortos e mutilados, solidariedades familiares são negadas...a fuga é o único escape.
Uma saga extraordinária de quase dois mil madeirenses que emocionou o mundo protestante em meados do séc. XIX. Uma diáspora que correu vários mares e pradarias – da Madeira para a ilha de Trinidade, das Caraíbas para o Ilinóis, e daí para o arquipélago do Havai.
Este drama coincidiu, com o após abolição da escravatura e a necessidade de arranjar mão-de-obra para as colónias britânicas das Caraíbas, e estes madeirenses até são especialistas no trato da cana-de-açúcar, actividade principal das terras a colonizar.
Anos mais tarde no Ilinóis e Havai, chegarão outros madeirenses emigrados por questões económicas e não foragidos religiosos, serão apreciados pelos patrões americanos nos campos de açúcar: porque eram bons trabalhadores e faziam muitos filhos brancos. O seu único defeito será serem católicos!
Nas terras onde chegaram primeiro os “madeirenses errantes”, estes agora serão recebidos com desconfiança pelo seu proselitismo religioso. E será que ainda se aventuravam a cantar:

O meu pai tinha um galo
Cortei-lhe a crista
Mais vale ser galo
Do que ser calvinista
.

Quem ficar interessado neste trama de enredos pode sempre ler: Madeirenses Errantes de Ferreira Fernandes, Oficina do Livro.

Sábado, Dezembro 03, 2005

Que tal revisitarmos Pessoa?

Poema

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmenteRidículas).


Álvaro de Campos
(heterónimo de F. Pessoa)

Terça-feira, Novembro 29, 2005

Ukulele


Quem nunca viu num daqueles filmes pachorrentos de fim de tarde de Domingo, uma daquelas imagens tradicionais de norte-americanos de malas e bagagens acabados de chegar ao Havai e logo depois um lindo luar, o famoso “luau” havaiano em que umas meninas dançam o “ula-ula” e uns indígenas tocam um instrumento de cordas mundialmente conhecido pela sua origem havaina e de nome “ukulele”. Enganam-se! O instrumento de nome é “ukulele” e a sua origem é portuguesa, da Madeira. Esse cartão-de-visita do Havai é o braguinha, o braga, o machete de braga ou o cavaquinho, levado para o Havai pelos emigrantes madeirenses. Pois é... a mundialização começou cedo, e neste caso ainda no séc XIX quando o Hawai era as ilhas Sandwich um reino independente e governado por um senhor de nome David Kalakaua.
No sentido inverso ao cavaquinho e após uma viagem de circum – navegação do planeta (foi o primeiro monarca do mundo a fazê-lo), este monarca passou por Lisboa, de onde saiu encantado.
Da sua despedida e do adeus ao rei português D. Luís rezam as crónicas: “(...) os dois monarcas ficaram um momento face a face; o rei português deu ao seu real irmão um abraço, mas a sua cabeça dificilmente conseguia tocar no ombro do soberano havaino, e os seus braços abraçavam-lhe as coxas; Kalakaua, dominando-o e incapaz de o abraçar, dava-lhe palmadinhas nas costas.”
Era enorme este havaiano... como também foi enorme a epopeia dos madeirenses no Havai...

Sexta-feira, Novembro 25, 2005

Fim de Semana II


Acontece com frequência... sermos observados por cúmplices destas passeatas, lá teremos de partilhar umas migalhas do lanche.

Fim de Semana I

Como podem ver o tempo já não é o melhor, mas mesmo com pouca luz a paisagem é deslumbrante. Por isso faço questão de usufruir, mesmo com chuviscos.

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

Justiça que tarda II

Recentemente um tribunal chileno com base num relatório médico considerou que um dos maiores cobardes da história, que aos 90 anos de idade ainda não foi capaz de se retratar perante a humanidade por todos os seus crimes, tem sido sim extremamente hábil em “fazer parecer mais graves os sintomas da doença neurológica que o afecta” e viver “numa simulação excessiva”. Por todos aqueles que sofreram as agruras da sua acção e a todos aqueles que lutam e lutaram contra todo o tipo de opressão e submissão, a minha homenagem.

Justiça que tarda I


“Em plena década de 70, juntas militares subiam ao poder em vários países da América Latina, organizando um dos planos mais sangrentos da história do continente. Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Brasil oficializam em 1975 a "Operação Condor", com vista a reprimir os seus opositores. No total, mais de 35 mil pessoas foram mortas ou desapareceram durante este período.”
DN 20-04-05

Quarta-feira, Novembro 23, 2005

Ushuaia


A cidade mais austral do mundo, a 3496 Km de Buenos Aires, que por sua vez ainda fica a umas horas de Portugal.
Ushuaia e a Tierra del Fuego são ponto de partida para imensas viagens, às portas da imensa e misteriosa Antárctida. Um lugar único no mundo, para quem quiser abrilhantar a viagem da vida.

Tierra Del Fuego

Terça-feira, Novembro 22, 2005

Momento

Tocaram a rumba e eu dancei com ela, e num passo maluco voamos na sala e a malta gritou:
- Aí Benjamim!!!

Seduzido


Olá pessoal! Isto da blogosfera já me andava a seduzir há muito tempo, juntando a isso a famosa bochecha acabei por ter um fraquinho pelas duas e aqui estou. Saudinha da boa é o que vos desejo e paciência para toda esta bloguice.

David