Um ano a olhar por 20 milhões de pessoas
Faz hoje (15 de Junho de 2006), que o ex- primeiro ministro português António Guterres foi escolhido para Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Não vale a pena ironizar sobre a sua incapacidade para governar 10 milhões de portugueses e a actual responsabilidade de olhar por mais de 20 milhões de refugiados por todo o mundo.
Ainda é cedo para fazer um balanço da sua acção, julgo até que será impossível algum dia fazê-lo, pois como diz António Guterres, “As crises antigas persistem, são difíceis de resolver, e cada dia surgem novos palcos para o ACNUR”.
Numa passagem por Lisboa para receber um prémio atribuído pelos jornalistas estrangeiros radicados em Portugal, António Guterres desabafou que os meios de comunicação contavam todos os dias os mortos no Iraque, mas que haviam mais mortos no Congo e que nunca eram contados.
No Público de hoje (http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1260804&idCanal=15) e questionado sobre a situação da província sudanesa do Darfour, António Guterres responde assim: “A visão francesa, americana, chinesa e russa não coincidem. O petróleo é uma questão central. O Sudão tem petróleo e há um relacionamento privilegiado de alguns países com o governo de Cartum. Quando os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança não se entendem, as Nações Unidas ficam completamente impossibilitadas de agir.”
Ao lerem a entrevista apercebem-se que António Guterres expõe o que deveria ser o norte da política internacional para estas situações, dizendo que “Do ponto de vista ético, todas as vidas humanas têm o mesmo valor”.
Assim deveria ser, mas quando a própria Nações Unidas assume que seis milhões de sudaneses, três milhões só no Darfour, vivem da ajuda internacional. Dois milhões tiveram de fugir e estão em situação precária e que oficialmente já morreram mais de 180 mil pessoas.... só me resta desejar a António Guterres toda a sorte do mundo, toda a esperança e toda a energia, todo o entusiasmo, toda a perseverança e obstinação que consiga ter. E que daqui a outro ano não estejamos cá a fazer balanços ou a analisar números, mas sim a reconhecer novamente a importância do seu papel e o orgulho que ele deve despertar em todos nós. E quem sabe aí poderemos ironizar e dizer:
- Tudo bem, vamos esquecer essa tua tal de maioria relativa que ajudou a nos levar a essa tal de crise e que pariu esse tal de défice.
Ainda é cedo para fazer um balanço da sua acção, julgo até que será impossível algum dia fazê-lo, pois como diz António Guterres, “As crises antigas persistem, são difíceis de resolver, e cada dia surgem novos palcos para o ACNUR”.
Numa passagem por Lisboa para receber um prémio atribuído pelos jornalistas estrangeiros radicados em Portugal, António Guterres desabafou que os meios de comunicação contavam todos os dias os mortos no Iraque, mas que haviam mais mortos no Congo e que nunca eram contados.
No Público de hoje (http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1260804&idCanal=15) e questionado sobre a situação da província sudanesa do Darfour, António Guterres responde assim: “A visão francesa, americana, chinesa e russa não coincidem. O petróleo é uma questão central. O Sudão tem petróleo e há um relacionamento privilegiado de alguns países com o governo de Cartum. Quando os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança não se entendem, as Nações Unidas ficam completamente impossibilitadas de agir.”
Ao lerem a entrevista apercebem-se que António Guterres expõe o que deveria ser o norte da política internacional para estas situações, dizendo que “Do ponto de vista ético, todas as vidas humanas têm o mesmo valor”.
Assim deveria ser, mas quando a própria Nações Unidas assume que seis milhões de sudaneses, três milhões só no Darfour, vivem da ajuda internacional. Dois milhões tiveram de fugir e estão em situação precária e que oficialmente já morreram mais de 180 mil pessoas.... só me resta desejar a António Guterres toda a sorte do mundo, toda a esperança e toda a energia, todo o entusiasmo, toda a perseverança e obstinação que consiga ter. E que daqui a outro ano não estejamos cá a fazer balanços ou a analisar números, mas sim a reconhecer novamente a importância do seu papel e o orgulho que ele deve despertar em todos nós. E quem sabe aí poderemos ironizar e dizer:
- Tudo bem, vamos esquecer essa tua tal de maioria relativa que ajudou a nos levar a essa tal de crise e que pariu esse tal de défice.

1 Comments:
O que se me apraz referir sobre tal assunto é que não deixo de pensar sobre o famoso Hotel Ruanda... Hotel sinónimo de férias, de descanso, de prazer...e foi-o...para 1200 e tal pessoas durante uns escassos dias...um paraíso, uma esperança. António Guterres...hum não me parece que seja sinónimo de qualquer uma delas!
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